Além de Karlo Bruno, a mãe de Saullo, Mary Jane Araújo dos Santos, também é ré pela morte de Roberta. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MP-AL), os dois devem responder pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menores e aborto provocado por terceiro. Eles serão julgados entre os dias 23 e 25 deste mês, na Comarca de Penedo. Saullo não foi denunciado, pois era menor de idade, e foi representado na Vara da Infância e da Juventude.
O áudio que voltou a circular na internet nesta semana foi divulgado em 2016 e periciado pela Polícia Federal no mesmo ano. No registro de voz, Karlo Bruno admite como matou Roberta e detalha a participação de Saullo no crime.
“A gente foi lá né, aí pegamos uma enxada. Uma enxada do cabo até pequeno, assim, que cabe na mala. Uma enxada e uma pá. E a extensão de som, que já era né a arma. E eu já saí daquela casa, ele botou o carro, o golzinho de ré, ali, e eu já saí dali na mala”, diz Bruno em trecho do áudio.
Confira na íntegra abaixo:
CRIME PREMEDITADO
Na
conversa, é possível identificar que Bruno está em diálogo com uma
outra pessoa, que seria um possível amigo. Ele parece não se importar de
falar sobre o crime e diz que tudo foi premeditado.
“Sim. Botei a tampa original em cima da mala. Já tinha combinado com ele. Quando eu vir você ,para, para eu saber, sentir o carro parado, é a hora, deixe comigo. Eu disse para ele, quando você parar, deixa comigo. Ele disse, Bruninho paro onde mais ou menos? Bicho, tem que ser em um canto longe. Eu disse, eu vou para aquele canto ali, que quero entrar ali na Santa Amélia. Para ir pra Santa Amélia, para a piscina”.
ASSASSINADA COM UM FIO
Bruno ainda descreve como matou Roberta e disse que usou a extensão e o banco do veículo para enforcá-la.
“Sim, eu disse, pronto está certo, foi buscar ela, e eu, na mala. E ela entrou, não sei o quê, conversando safadeza, aquela peste toda. Aí quando eu senti o carro parar, dei aqui a volta logo assim, na mão. Estiquei assim”. Mais ou menos que eu sabia que dava para garantir no pescoço dela e, nesse assento assim, no apoio de encostar a cabeça, né. Vou logo botar, digo não, ói, vou devagarzinho aqui, ó. Quando tirei um pouquinho, eu digo, tá, eu vou é ligeiro, aí fui, ela ainda olhou para mim. Essa cena é a que eu fico mesmo aqui”.
VÍTIMA DISSE QUE FARIA ABORTO
No
áudio, Bruno conta que trocou de posição com Saullo, que estava
conduzindo o veículo. Ele também revela que Roberta implorou pela vida e
disse que tiraria o filho.
"“Morreu, mas assim, acho que ali já era a morta. Não voltava mais não. Mas, eu, pra grantir, eu queria um negócio garantido. E ela demorava, demorava, podia demorar cinco minutos e ela (suspiro)". Eu olhava assim pra ela e olhava pro Saulo. Ficou preto os olhos dela. Aquela frase que ela disse: Bruno, tenha calma, eu tiro. E aquela cena dos olhos pretos marcou”.
CORPO ENTERRADO
Bruno ainda diz no áudio que tentou arrancar a arcada dentária da vítima, mas não revelou o local exato onde a enterrou.
"Foi, foi mais ou menos na metade do caminho, na metade de Feliz Deserto, daqui para Feliz Deserto. (...) E eu não sou um cara ligado, mas eu tenho certeza que um daqueles três era um canto. Ainda eu tentei cavar, queria arrancar pelo menos a arcada dentária dela e os fios de cabelo, arrancar e botar tudo numa mochila, pra dar um fim".
Os restos mortais de Roberta Dias só foram encontrados nove anos depois do assassinato, na Praia do Pontal do Peba, na cidade de Piaçabuçu. Foi a mãe dela que, após saber que um crânio foi localizado naquela região, providenciou uma escavadeira para recolher os restos mortais da filha.
O caso
Roberta Costa Dias desapareceu em abril de 2012, quando tinha 18 anos. O motivo do crime seria a criança que ela estava esperando do filho de Mary Jane. Saullo, com quem Roberta teve um relacionamento, tinha 17 anos e a gravidez era indesejada por sua família. Ele e a mãe teriam atraído a vítima para uma rua nas proximidades do posto de saúde, onde a jovem tinha ido se consultar.